M.Espírita

Plantando e colhendo

Conta uma fábula que, em um país distante e montanhoso, um lago e um riacho viviam lado a lado.

O lago ficava no pé da montanha e o riacho descia de um ponto mais alto.

O lago muito orgulhoso dizia ao pequeno rio: Veja como sou grande e bonito.

Sim, respondia o riacho, você deve ter muitos amigos, pois pode dar de suas águas para quem queira beber. Eu ainda sou tão pequeno!

O lago respondeu que se desse de suas águas para todos que dela necessitassem, se tornaria menor.

Um dia, um cabrito se aproximou para beber água, e o lago o expulsou.

O riacho, penalizado, chamou-o e, mesmo tendo pouca água, ofereceu-a para lhe matar a sede.

Mais tarde, um bando de andorinhas pediu água ao lago, que tornou a negá-la.

O riacho, vendo-as cansadas, ofereceu-lhes das suas águas, e elas beberam felizes.

Em um dia muito quente, um rato pediu ao lago que espalhasse suas águas para que chegassem até onde se encontrava um coelho com a pata quebrada, e que padecia muita sede.

Nada tenho com isso, disse o lago, recusando-se.

O riacho desejava ajudar mas suas águas não alcançavam o local onde se encontrava o animal ferido.

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Crianças do Século XXI

As crianças de hoje surpreendem pela sua incrível capacidade de lidar com engenhocas tecnológicas. Assustam adultos de mais de trinta anos que sentem algum desconforto frente ao computador, a botões e máquinas eletrônicas sofisticadas.

Os garotos da atualidade assistem em tempo real ao que ocorre em locais distantes de onde se encontram e estão habituados a conquistas científicas.

Tudo isso leva pais a se considerarem ultrapassados, endeusando os filhos ou considerando-os verdadeiros gênios.

Por mais que ajam com certa autonomia, as crianças de hoje, como as de ontem, têm necessidade dos adultos para lhes dizer o que fazer e o que não fazer.

Os pequenos gênios fazem birra, esperneiam e até fazem greve para conseguirem o que desejam.

Precisam de um basta que interrompa sua diversão com o game quando a hora é a da refeição, do banho ou da escola.

Necessitam receber não para regular a sua rotina e sua saúde.

Precisam de disciplina. E disciplina se faz com limites.

É um erro tratar as crianças simplesmente como cérebros ansiosos por mais e mais conhecimentos.

Elas necessitam de experiências afetivas, motivo pelo qual não podem dispensar as brincadeiras com outras crianças.

Assim como elas precisam da imposição dos limites pelos adultos, necessitam dos conflitos com seus amiguinhos para aprenderem a se relacionar com pessoas e coisas.

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Sorte ou merecimento?

A palavra sorte costuma ser muito utilizada.

Em face de algum acontecimento significativo, fala-se em boa ou má sorte.

Diz-se que algumas pessoas têm muita sorte.

A vida parece lhes sorrir.

Têm grandes amigos, saúde, bom emprego, família equilibrada.

Já para outros a vida não é tão risonha.

Vivem a braços com grandes dificuldades.

Relacionam-se afetivamente com pessoas indignas.

Seus empreendimentos profissionais não obtêm sucesso.

Sua saúde costuma oscilar.

São muitas as formas pelas quais se tenta explicar e contornar a má sorte.

Consulta-se a posição das estrelas no momento do nascimento.

Fazem-se pequenos rituais, a fim de obter conjunções propícias.

Em face de sucessivos desgostos, há quem afirme ser uma questão de carma.

A pessoa imagina estar destinada ao sofrimento e à derrota.

Ocorre ser mais correto raciocinar em termos de lei de causa e efeito.

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Suicídio, a porta falsa

Desde que bebera a substância venenosa, Marina sentia-se morrer, sem morrer.

Não queria viver mais. Experimentara o desprezo de Jorge, o jovem de quem se enamorara e com quem acariciava o sonho de casar-se e criar os filhos.

Foram dois anos de esperanças. Tudo em vão.

Não dera ouvidos ao pai que costumava dizer-lhe: Cuidado com os rapazes de hoje, filha, nem sempre têm bom caráter. Achava o paizinho antiquado e exigente.

Mas como resistir? Jorge a buscava todas as noites. Começou pedindo livros emprestados. Depois de algumas semanas estavam juntos no cinema.

O filme era envolvente. Contava a história de uma jovem tímida, contrariada pela família, que se entregara ao rapaz, com quem fugiu, confiante.

Ninguém poderia dizer o que aconteceria depois, mas o cinema coroara a aventura com um romântico beijo.

Na saída, a garoa fina. Jorge a convidou para um passeio. Marina pensava na heroína do filme, e não teve coragem de dizer não.

Pela primeira vez Marina mentiu à mãezinha que a esperava, ansiosa, às três horas da madrugada. A chuva atrapalhou, mãe, ficamos na casa de Jorge até agora.

Outros tantos passeios a sós se repetiram até que um dia Marina sentiu-se enjoada e com tonturas.

Jorge a levou ao consultório de um médico, ainda jovem, que a olhava com ares de malícia.

A moça ficou um tanto revoltada diante dele, mas submeteu-se ao abortamento.

Desejava ser mãe, mas o namorado convenceu-a de que era preciso se casarem antes. Terminariam os estudos e então se casariam.

Daquele dia em diante Marina sentia-se diferente. Via-se perseguida, em sonho, por alguém que lhe gritava aos ouvidos: Mãe, mãe, por que me mataste?

Contou seu drama ao namorado mas ele dizia que ela estava precisando de um psiquiatra.

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Sejamos...

Se você não puder ser um pinheiro no topo da colina, seja um arbusto no vale – mas seja o melhor arbusto à margem do regato.

Seja um ramo se não puder ser uma árvore.

Se não puder ser um ramo, seja um pouco de relva, e dê alegria a algum caminho.

Se não puder ser um perfume raro, seja então apenas uma tília; porém, a tília mais cheia de vida do lago.

Não podemos ser todos capitães, temos de ser tripulação.

Há alguma coisa para todos nós aqui. Há grandes obras e outras menores a realizar.

E é a próxima a tarefa que devemos empreender.

Se você não puder ser uma estrada, seja apenas uma senda.

Se não puder ser o sol, seja uma estrela. Não é pelo tamanho que terá êxito ou fracasso.

Mas seja o melhor que puder, independentemente do que seja.

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CEP Concórdia