M.Espírita

A luz do Natal

Cintilância não é sinônimo de harmonia e paz.

Há claridade nos incêndios destruidores que consomem vidas e bens.

Resplendor sinistro transparece nos bombardeios que trazem a morte.

Reflexos radiosos surgem do lança-chamas.

Relâmpagos estranhos - assinalam a movimentação das armas de fogo.

No Evangelho, porém, é diferente.

Comentando o Natal, o evangelista Lucas assevera que o Cristo é a luz para iluminar as nações.

O Mestre não chegou impondo normas ao pensamento religioso.

Não interpelou governantes e governados sobre processos políticos.

Não disputou com os filósofos quanto às origens do homem.

Também não concorreu com os cientistas na demonstração de aspectos parciais e transitórios da vida.

Contentou-Se em fazer luz no Espírito imortal.

Seu ministério endereçava-Se aos povos de todo o mundo.

Mas Ele não marcou Sua presença com expressões coletivas de poder.

Absteve-Se de movimentar e formar exércitos e sacerdócio, armamentos e tribunais.

Preocupou-Se com o que de fato interessava.

Trouxe claridade para todos, projetando-a de Si próprio.

Revelou a grandeza do serviço à coletividade por intermédio da consagração pessoal ao bem infinito.

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Resiliência

Resiliência é a capacidade da pessoa se recobrar facilmente ou se adaptar às adversidades ou às mudanças.

Também pode ser entendida como a capacidade de vencer obstáculos, permitindo-se o aprendizado a partir dos problemas e até ajudar o próximo.

Perdas, traumas emocionais, sentimentos marcantes interferem, por vezes, de forma negativa, na vida de milhares de pessoas.

Para algumas, problemas e desafios são apenas pequenas barreiras, logo transpostas. Contudo, para outras pessoas, se transformam em gigantescas muralhas.

E é exatamente nesse momento que entra a resiliência, essa capacidade de o indivíduo lidar com problemas, de superar obstáculos, de transformar traumas em aprendizados ou de resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico.

A advogada maranhense Marlene, com uma carreira bem sucedida na Procuradoria Pública, uma condição financeira invejável, se descobriu grávida pela terceira vez.

Aos quarenta anos, recebeu a notícia, dada pelo próprio médico, de que sua filha nasceria com Síndrome de Down e não viveria além dos doze anos.

Ela se sentiu precipitar em um buraco negro. Parecia ser o fim do mundo, do seu mundo. Ela não tinha conhecimento a respeito da Síndrome e os meses seguintes foram de luto, dor e muitos questionamentos.

Por que comigo? O que foi que eu fiz de errado?

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Disciplina do pensamento

Você consegue imaginar quantos pensamentos temos por dia?

Estudiosos informam que temos entre sessenta a noventa e cinco mil pensamentos em vinte e quatro horas.

É uma quantidade realmente muito grande...

Isso significa, por exemplo, que durante esta mensagem poderemos chegar a ter entre duzentos a trezentos e trinta pensamentos!

Trazemos então uma primeira reflexão: Quantos desses tantos pensamentos diários são bons, úteis? Quantos são maus, inúteis?

Infelizmente a maioria deles ainda não pode ser classificada como pensamentos saudáveis e construtivos, porém, existem formas de se disciplinar o pensar, pois bem pensar é a elevada forma de se viver.

Aqui vão alguns ensinamentos importantes a respeito da disciplina do pensamento.

Se meditarmos em assuntos elevados, na sabedoria, no dever, no sacrifício, nosso ser impregna-se, pouco a pouco, das qualidades de nosso pensamento.

É por isso que a prece improvisada, ardente, o impulso da alma para as potências infinitas, tem tanta virtude.

É preciso aprender a fiscalizar os pensamentos, a discipliná-los, a imprimir-lhes uma direção determinada, um fim nobre e digno.

Cada tipo de pensamento tem que ter a sua hora, o seu lugar. Não devemos estar em casa, com a família, e com os pensamentos em outro lugar, como, por exemplo, no ambiente de trabalho.

Cada vez que surja um mau pensamento, essa fiscalização fará com que um alerta se acenda em nós, e tomemos alguma atitude para expulsá-lo o mais rápido possível.

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Um presente inesquecível

Linda tinha sete anos, quando ouviu sua mãe comentar com uma de suas amigas que, no dia seguinte, faria trinta anos.

Jamais Linda soubera que sua mãe fazia aniversário. Também nunca a vira ganhar um presente.

Por isso, foi até seu cofrinho, juntou todas as moedinhas e se dirigiu à loja da esquina.

Procurou um presente que pudesse se encaixar naquele preço. Havia bibelôs, mas ela pensou que sua mãe teria que espaná-los todos os dias.

Havia caixinhas de doces, mas sua mãe era diabética.

Finalmente, conseguiu comprar um pacote de grampos de cabelo.

Os cabelos de sua mãe eram longos e escuros. Ela os enrolava duas vezes na semana e quando os soltava, ficava parecendo uma artista de cinema.

Em casa, linda embrulhou os grampos em uma página de histórias em quadrinhos do jornal, porque não sobrara dinheiro para papel de presente.

Na manhã seguinte, à mesa do café, entregou o pacote à sua mãe e disse: Feliz aniversário, mamãe!

Em silêncio, entre lágrimas, a mãe abriu o pacote. Já soluçando de emoção, mostrou ao marido, aos outros filhos: Sabem que é o primeiro presente de aniversário que recebo na vida?

Beijou a filha, agradecendo e foi para o banheiro lavar e enrolar os cabelos, com os grampos novos.

Quando a mãe saiu da sala, o pai aproximou-se de Linda e confidenciou: Linda, quando eu era menino, lá no sertão, não nos preocupávamos em dar presentes de aniversário para adultos. Só para as crianças.

E, na família de sua mãe, eles eram tão pobres que nem isso faziam. Mas você me fez ver, hoje, que isso precisa mudar. Você inaugurou uma nova fase em nossa vida.

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Como definir saudade?

Como se pode definir a saudade? Dor da ausência de quem atravessou o umbral da porta e não mais voltou?

De quem se foi, tomado de mágoa, e disse que jamais retornaria?

Dor pela ausência de quem foi abraçado pela morte, depois de uma despedida que nunca aconteceu, porque tudo foi repentino, brusco, inesperado?

O que é isso que dói tanto e quanto mais passa o tempo mais parece machucar?

Segundo o dicionário é a lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las.

É verdade. Sentimos saudades de pessoas e de coisas já vividas, de coisas que já possuímos.

Sentimos saudade da espetacular viagem realizada, em que conhecemos lugares tão pitorescos, em que respiramos ares tão diversos, em que nos deixamos envolver pela sua magia e encantamento.

E desejamos, ardentemente, reprisar. Por isso, sonhamos. Sonhamos enquanto dormimos ou de olhos abertos, durante o dia mesmo.

Desejamos retornar àquelas localidades para tornar a sentir as mesmas emoções, que ficaram gravadas em nossa intimidade.

Temos saudades da casa da nossa infância, onde fomos felizes. A casa com o terreno tão grande, cheio de árvores, que nos conheceram muito bem.

Afinal, subíamos nelas todos os dias, fossem dias escolares ou de férias.

Quantas frutas saboreamos no pé de ameixa, de caqui, sem mesmo nos darmos ao luxo de lavá-las.

Eram nossas, do nosso quintal, portanto, no nosso entender de crianças peraltas, estavam limpas. E eram tão saborosas!

A saudade nos traz a vontade de tornar a encontrar aqueles sabores, tão peculiares, diferentes das frutas que adquirimos no mercado.

Saudade é algo estranho. Ela nos lembra de pessoas, de momentos, de fatos que desejamos se reprisem.

Nostalgia. A alma sente vontade de sentir de novo aquela mesma alegria, aquela emoção, aquele cheiro, aquele sabor.

Quando se trata de pessoas, dizem que saudade é a ausência do fluido, da energia delas, que ficou impregnado em nós, enquanto estávamos juntos.

É o residual dos tantos abraços e afetos trocados. E que, com o tempo, vai se diluindo, desaparecendo.

Aí a saudade estende laços e aperta.

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