M.Espírita

Conectados ou isolados?

Nossa vida na Terra foi presenteada, nestas últimas décadas, com tecnologias de alto padrão e funcionalidade. As distâncias deixaram de existir graças à comunicação virtual que nos faz interagir no mundo em que vivemos.

Todos podemos nos conectar e ter sempre atualizadas notícias de amigos e familiares, em pormenores.

Até mesmo os pequeninos se realizam e produzem maravilhas com um aparelhinho nas mãos, considerando a desenvoltura com que lidam com eles.

Porém, quando o abuso se faz, nota-se que, embora a tecnologia virtual esteja aproximando os distantes, ficamos distanciados dos mais próximos.

Quem relata o fato é dona Margarida, mãe de três filhos, avó de duas lindas crianças e cinco adolescentes que vivem equipados com modernos aparelhos, de recursos variados.

A maior alegria dessa mãe e avó é tê-los junto a si aos domingos para o tradicional almoço em família, e poder saborear a festa de suas companhias.

No entanto, diz ela, não consegue dez minutos sequer de diálogo com eles sem que seja interrompida por um som característico, que lhe tira de imediato a parceria sonhada.

Certa feita, fez uma decoração diferente na casa para comemorar um dia festivo e chamar a atenção dos netos para algum detalhe especial, mas não conseguiu.

Colocara na sala um painel metálico com fotos de todos os familiares, em momentos importantes de suas vidas, e pequenos papéis contendo frases carinhosas junto de cada foto.

Ninguém se deu conta da novidade criada pela mãe e avó, pois que os joguinhos virtuais, os zaps dos amiguinhos, as redes sociais não permitiram.

Antes de servir o almoço, dona Margarida chamou-lhes a atenção para o fato. Todos se surpreenderam, pois o painel estava na sala em que se encontravam.

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Você é insubstituível

Quantas vezes você já ouviu a frase: Ninguém é insubstituível?

Pensando bem, ninguém é insubstituível, no sentido de que todos os seres humanos somos transitórios.

Hoje estamos aqui e amanhã poderemos não mais estar. E, a qualquer momento, poderemos ser substituídos no cargo que ocupamos, na realização da tarefa que nos devotamos.

E essa é uma realidade de muitas instituições, onde as pessoas são descartadas, por qualquer motivo ou motivo algum.

Contudo, ao se repensar bem a frase, percebemos que ela é inverídica sob variados aspectos.

Basta se faça um passeio pela História da Humanidade e logo descobriremos pessoas que fizeram a grande diferença no mundo.

No campo da arte, recordemos de Beethoven. Ele morreu em 1827. Quem o substituiu?

Embora tantos músicos depois dele, ninguém compôs sinfonias como ele o fez.

Nunca mais houve outra Sonata ao luar. Ele foi único. E ouvindo as suas sonatas, seus concertos quem recorda que ele era surdo?

Único e insubstituível também foi Gandhi, o líder pacifista e principal personalidade da Independência da Índia.

Quem ensinou a não violência como ele o fez? Quem, depois dele liderou uma marcha para o mar, por mais de trezentos e vinte quilômetros para protestar contra um imposto?

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O que nos pertence

O que verdadeiramente possuímos? O que realmente nos pertence?

 A pergunta parece retórica, até mesmo, óbvia.

 Afinal, parece claro que tudo aquilo que legalmente adquirimos, juridicamente está sob nossa guarda, nosso nome, nos pertence.

 Segundo este conceito, pensamos possuir fortunas.

 Quando temos muitas coisas, desenvolvemos a crença de que tudo que é relevante tem um preço. Por isso mesmo, pode ser adquirido, possuído.

 Entretanto, chegam os imprevistos, a má administração, as atitudes imprevidentes, e a fortuna passa para outras mãos.

 O dinheiro, os imóveis, as propriedades, que eram tão significativos para nós, deixam de nos pertencer.

 Pensamos ser proprietários do próprio corpo e nele investimos horas de tratamentos, produtos, buscando deter a velhice, na ânsia de permanecermos jovens.

 Enveredamos por exercícios descabidos, até na ingestão de drogas ilegais buscando os padrões estéticos vigentes, escravizando-nos à própria imagem.

 Esquecemos de que, em um instante, podemos ser convidados a deixar o corpo para retornar à pátria espiritual.

 E, posto que, efetivamente, o corpo que habitamos não nos pertence, seguimos a vida, deixando-o para trás.

 Essas reflexões nos levam a entender a relatividade da vida e nos indagarmos: O que, efetivamente, nos pertence?

 Reflexionar em torno desta questão nos permitirá dar o devido peso às coisas do mundo.

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Mães extraordinárias

O jovem andava pela rua quando deparou com um homem caído.

Inexperiente, mas com enorme coração, chamou um táxi, colocou nele o homem e pediu para rumar ao hospital.

Ao chegar lá, descobriu que não tinha dinheiro para pagar a corrida.

O taxista lhe disse:

Quem é este homem que você vem trazendo ao hospital?

Não sei, respondeu o moço. Encontrei-o caído na rua e pensei em dar socorro.

Bom, respondeu o profissional, se você pode ajudar a quem não conhece, eu também posso. A corrida fica por minha conta.

O homem, ainda inconsciente, foi colocado em uma maca. Mas aí, os problemas começaram.

O moço não sabia o nome dele, nem endereço, nem se tinha plano de saúde. Nada.

Afinal, como disse à recepcionista, eu não mexi nos bolsos dele. Só pensei em socorrer.

Bom, se ele não é seu parente, não é seu conhecido, quem vai se responsabilizar pelos custos do atendimento que for necessário?

Não sei, falou o rapaz. Eu não tenho condições. Só sei que ele precisa de atendimento. Não pode ficar aí, sem que ninguém o socorra.

A questão era simples, segundo a moça. Ele devia depositar um valor em caução e o restante poderia ser ajustado, mais tarde.

Enquanto tentava explicar que não tinha dinheiro, e quase suplicava para que o seu socorrido fosse atendido, um médico adentrou o hospital.

Fale com ele, disse a moça. É o diretor. Se ele autorizar...

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Fazer a nossa parte

É interessante como, muitas vezes, nos comportamos de maneira incoerente, antagônica mesmo.

Reclamamos da desonestidade de nossos políticos, nos exaltando nos comentários e na indignação.

Com razão, citamos essa ou aquela outra ação mal executada, os descalabros na condução do dinheiro público, a má conduta desse ou daquele gestor.

Porém, alguns de nós burlamos a declaração do imposto de renda com a justificativa de que nosso dinheiro é mal empregado.

E, em ocasiões específicas, fazemos tentativas de subornar a autoridade policial, no argumento de que não merecemos a penalidade que nos será infligida.

Existem outros de nós que adulteramos o produto que estamos vendendo, alegando para nossa consciência que qualquer um, em nosso lugar, faria o mesmo.

Ficamos indignados quando um motorista alcoolizado ceifa vidas, de maneira leviana e inconsequente, quando ao volante.

Porém, é de nos questionarmos se, por vezes, aos nos depararmos com um posto de controle policial na rua, alertamos aos demais motoristas para que evitem tal controle.

Clamamos por justiça, de maneira veemente, quando vemos alguém, inconsequente, provocar um acidente por estar dirigindo em alta velocidade ou em estado de embriaguez.

Contudo, com igual ímpeto, reclamamos dos radares que controlam velocidades e das câmeras que nos flagram nos delitos de trânsito.

É necessário que repensemos quais os pesos e medidas que desejamos para nossa sociedade porque será a partir dessa medida que deveremos pautar nossas ações.

Se queremos um trânsito menos violento e mais respeitador, primeiro há que respeitarmos as normas e a legislação.

Se anelamos por pessoas honestas, e por uma justiça igualitária, necessário que nossas atitudes sejam coerentes com nosso discurso.

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