M.Espírita

É preciso ouvir...

O turista viajava pelo Oriente e, atraído pelo que ouvira falar a respeito de renomado guru, resolveu visitá-lo.

Sabedor que todos o tinham em extraordinário conceito pelos conselhos que dava a quem o buscava, pensou em lhe pedir orientação para sua vida, que estava um autêntico caos.

Foi introduzido em uma saleta, junto a outros que, igualmente, seriam atendidos. A casa era simples e pequena. O guru procedia à cerimônia do chá, com que desejava brindar os visitantes.

O turista, afoito e impaciente, começou a falar sem interrupção. Falava dos seus problemas, das suas dificuldades, acompanhando todos os passos do dono da casa, conforme ele se movia de um lado para o outro.

Segurou a chávena que lhe foi entregue, sem muita atenção.

Contudo, quando o guru nela despejou um pouco de chá, estando virada para baixo, inverteu o sentido das suas palavras para protestar:

O senhor viu o que fez? A chávena estava ao contrário e o chá derramou...

Calmamente, respondeu o guru:

Exatamente como a sua mente! Você está tão preocupado em falar, que não escuta nada do que se lhe diga.

É como despejar um bule cheio de chá na chávena virada para baixo.

Mude a sua conduta. Pense antes de falar. Fale pouco, analisando o que diz. Quando agir assim, a sua vida vai melhorar.

E concluiu: Pode se retirar. A consulta acabou.

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Viver em profundidade

É surpreendente observar como deixamos de perceber que nossos valores profundos são tão únicos quanto as nossas digitais.

Quando não temos consciência disso, sacrificamos determinadas coisas para obter o que os outros consideram mais importante.

Certo administrador de uma grande Companhia de Seguros descobriu, um dia, que tinha câncer de cólon.

Ele fora o primeiro de uma família de agricultores a frequentar uma faculdade. Por isso, foi aluno excepcional.

No seu meio, era conhecido como um homem ambicioso, politicamente esperto, que fazia da carreira a sua própria vida.

O câncer fora descoberto bem cedo e o prognóstico era excelente. Findo o tratamento, seus colegas esperavam que ele retornasse ao trabalho bem depressa, reassumindo suas funções.

Entretanto, dois dias depois de recomeçar, ele abandonou seu cargo. Na empresa imaginou-se que ele tivesse recebido uma proposta melhor. Mas não era isso. Ele parou de trabalhar durante um ano.

Comprou um belo pedaço de terra e mudou-se com a família para a propriedade. Tornou-se agricultor.

Disse ele: Desde o instante em que acordei da cirurgia, tive certeza de que estava vivendo uma vida que não era a minha. Sofri muitas pressões dos meus pais para alcançar o sucesso.

Eles estavam muito orgulhosos por eu ter escapado da vida dura que levavam há tantas gerações.

Deixei-me envolver pelo desafio, querendo vencer. Mais tarde, simplesmente continuei a me esforçar. Até que, em algum momento, deixei de ouvir a mim mesmo.

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Ter sempre razão

Quanto custa ter sempre razão?

Em algum momento, paramos para analisar esta questão? Já pensamos quais são as consequências de sempre querer provar que estamos certos?

É claro que defender um ponto de vista é corriqueiro. Colocar nosso posicionamento ou nossas ideias perante um fato, de maneira sensata, é mesmo saudável.

Trocar ideias a respeito de um tema, argumentar a favor de um conceito no qual acreditamos, são posturas naturais e comuns nas nossas relações cotidianas.

Porém, quando essa atitude supera todas as barreiras, está sempre como ponto de honra de nossa palavra, quando se torna fundamental ter a razão, qual o preço a ser pago?

Quantas vezes nos aborrecemos com alguém pelo simples fato de querermos convencê-lo de que ele está errado em sua forma de pensar?

Quem de nós não se pegou transformando uma discussão tranquila em um afrontamento pessoal?

Ou ainda, quantas vezes não elevamos o tom da conversa, nos tornamos ríspidos no enfrentamento de ideias?

Defendemos nosso ponto de vista como acreditamos ser o mais adequado. E, naturalmente, temos nossa maneira de ver a realidade, conforme nossos valores, conceitos e capacidades.

Quatro pessoas, cegas de nascença, ao serem colocadas junto a um elefante vão conseguir relatar o que puderem tocar do animal.

Se não lhes derem a oportunidade de perceber as diferenças entre orelha, cauda, tromba, corpo, terão apenas uma ideia parcial.

Não estarão erradas, apenas cada uma terá somente parte da razão.

Muitas vezes isso acontece nos nossos relacionamentos. Temos a nossa percepção, a nossa capacidade de análise.

Não quer dizer que estejamos errados ou que não tenhamos razão em nossos argumentos.

Porém não podemos esquecer de que o outro tem sua própria forma de ver, seus valores, suas ideias.

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Reparando débitos

Existe erro irreparável? Será que acontecem tropeços na vida que jamais poderemos ressarcir?

Quando nos damos conta de alguma atitude errada, de uma ação desmedida, é natural que busquemos reparar o erro.

Quando nos conscientizamos do engano, a consciência, por processo natural, nos pede para ressarcirmos perante a vida, o que dela, de uma ou de outra forma, extorquimos.

Então nos armamos de coragem, humildade e entendimento, para buscar os meios de corrigir o erro.

Porém, é verdade que não raras são as situações onde essa reparação não se mostra tão simples ou corriqueira.

Alguns equívocos se alastram por toda a existência, sem oportunidade ou, por vezes, coragem de serem reparados.

São aqueles de difícil solução, envolvendo circunstâncias que nos fogem ao controle.

Assim, se pensamos em uma única existência, a resposta para a primeira pergunta será, inevitavelmente, Sim: existem erros irreparáveis.

Seja por dificuldades pessoais ou circunstâncias que se imponham, haverá situações que não permitirão reparação, nesta vida.

Basta que recordemos quantas pessoas concluem a sua jornada na Terra sem terem conseguido perdoar o próximo, ou sem terem tido a oportunidade de pedir perdão.

No entanto, lemos nos Evangelhos que Jesus afirmou que ninguém deixará a Terra sem antes pagar até o último ceitil, ou seja, a última moeda.

Se assim assevera o Mestre, como explicar essas situações onde a morte nos alcança antes de nos reabilitarmos?

Como pagar todas essas dívidas?

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Fui ajudá-lo a chorar

Como anda seu envolvimento com as outras pessoas?

Você é daqueles que se fecha em seus problemas, em suas dificuldades, nem sequer querendo saber se existe alguém à sua volta que precisa de ajuda?

Ou você é daquelas almas que já consegue se envolver com as dores alheias, procurando diminuí-las, ou pelo menos não deixando que alguém sofra na solidão?

Há uma certa passagem que pode ilustrar isso. Foi vivida pelo autor Leo Buscaglia, quando, certa vez, foi convidado a ser jurado de um concurso numa escola. O tema da competição era: A criança que mais se preocupa com os outros.

O vencedor foi um menino cujo vizinho – um senhor de mais de oitenta anos – acabara de ficar viúvo. Ao notar o velhinho no seu quintal, em lágrimas, o garoto pulou a cerca, sentou-se no seu colo e ali ficou por muito tempo.

Quando voltou para sua casa, a mãe lhe perguntou o que dissera ao pobre homem.

Nada. – Disse o menino – Ele tinha perdido a sua mulher, e isso deve ter doído muito. Eu fui apenas ajudá-lo a chorar.

A pureza do coração das crianças é sempre fonte de ensinamentos profundos.

Geralmente costumamos dizer que não estamos aptos a ajudar alguém, por não sermos capazes, ou porque sabemos tão pouco para consolar.

Para muitos, essa é uma posição de fuga, uma desculpa que encontramos para mascarar o egoísmo que ainda grita dentro de nossa alma, dizendo que precisamos primeiro cuidar de nós mesmos, e que os outros são menos importantes.

Para outros, isso reflete a falta de esclarecimento, pois precisamos compreender que todos temos capacidade de auxiliar.

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