M.Espírita

Qual é a sua causa?

Uma revista traz estampada em sua capa uma questão direta e provocante: Qual é a sua causa?

Logo abaixo da pergunta tema da matéria principal, um pequeno texto explicativo:

Todo mundo pode fazer a diferença. E nem precisa mudar o mundo. As maiores lutas estão no dia a dia.

No corpo do periódico, o texto da matéria começa declarando:

Doar sangue, cabelo, alegria ou tempo. Resgatar a autoestima, um animal, um sonho ou uma vida. Conheça histórias de pessoas que descobriram diferentes razões para viver e uma mesma felicidade – a de ajudar.

Logo em seguida, lemos diversos relatos de pessoas e suas causas nobres. Algumas muito singelas, mas todas extremamente importantes.

Uma mulher deixou o cabelo crescer e depois doou para pacientes em tratamento quimioterápico.

Um homem liderou o projeto de tombamento do bairro onde nasceu e cresceu.

Mulheres que, para defender a causa do parto humanizado tornaram-se doulas, ou seja, mulheres que dão suporte físico e emocional a parturientes.

Um adolescente acompanha a mãe numa atividade de contar histórias, brincar e conversar com crianças carentes, filhos de dependentes químicos.

E muitos outros vão surgindo, desenhando suas belas causas, produzindo como que uma pintura indescritível que só o bem é capaz de retratar.

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Um bom sentimento no coração

Dois meninos caminhavam ao longo de uma estrada, que se estendia através de um campo.

À beira do caminho viram um casaco velho e um par de sapatos surrados.

Ao longe vislumbraram o dono que trabalhava naquele campo.

O rapaz mais novo sugeriu que eles escondessem os sapatos, se escondessem eles mesmos, e ficassem ali observando a expressão de surpresa do dono, quando retornasse.

O menino mais velho achou que isso não seria tão bom.

Ele disse que, pelo aspecto da roupa e dos sapatos, o dono deveria ser um homem muito pobre.

Então, depois de falarem sobre o assunto, por sua sugestão, concluíram que tentariam outra experiência: ao invés de esconder os sapatos, iriam colocar uma moeda de prata em cada um, e observar o que o dono faria quando descobrisse o dinheiro.

E foi o que fizeram.

Logo, o homem regressou do local onde trabalhava, colocou seu casaco, calçou um pé em um sapato, sentiu algo duro, levou-o para fora e encontrou um dólar de prata.

Maravilha e surpresa brilharam em seu rosto.

Ele olhou para a moeda uma vez e outra vez, virou-se e não conseguiu ver ninguém ali por perto.

Em seguida, calçou o outro sapato.

Para seu grande espanto, encontrou outra moeda de prata.

Ele começou a chorar, ali, sentado sobre o campo.

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Viver em profundidade

É surpreendente observar como deixamos de perceber que nossos valores profundos são tão únicos quanto as nossas digitais.

Quando não temos consciência disso, sacrificamos determinadas coisas para obter o que os outros consideram mais importante.

Certo administrador de uma grande Companhia de Seguros descobriu, um dia, que tinha câncer de cólon.

Ele fora o primeiro de uma família de agricultores a frequentar uma faculdade. Por isso, foi aluno excepcional.

No seu meio, era conhecido como um homem ambicioso, politicamente esperto, que fazia da carreira a sua própria vida.

O câncer fora descoberto bem cedo e o prognóstico era excelente. Findo o tratamento, seus colegas esperavam que ele retornasse ao trabalho bem depressa, reassumindo suas funções.

Entretanto, dois dias depois de recomeçar, ele abandonou seu cargo. Na empresa imaginou-se que ele tivesse recebido uma proposta melhor. Mas não era isso. Ele parou de trabalhar durante um ano.

Comprou um belo pedaço de terra e mudou-se com a família para a propriedade. Tornou-se agricultor.

Disse ele: Desde o instante em que acordei da cirurgia, tive certeza de que estava vivendo uma vida que não era a minha. Sofri muitas pressões dos meus pais para alcançar o sucesso.

Eles estavam muito orgulhosos por eu ter escapado da vida dura que levavam há tantas gerações.

Deixei-me envolver pelo desafio, querendo vencer. Mais tarde, simplesmente continuei a me esforçar. Até que, em algum momento, deixei de ouvir a mim mesmo.

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É preciso ouvir...

O turista viajava pelo Oriente e, atraído pelo que ouvira falar a respeito de renomado guru, resolveu visitá-lo.

Sabedor que todos o tinham em extraordinário conceito pelos conselhos que dava a quem o buscava, pensou em lhe pedir orientação para sua vida, que estava um autêntico caos.

Foi introduzido em uma saleta, junto a outros que, igualmente, seriam atendidos. A casa era simples e pequena. O guru procedia à cerimônia do chá, com que desejava brindar os visitantes.

O turista, afoito e impaciente, começou a falar sem interrupção. Falava dos seus problemas, das suas dificuldades, acompanhando todos os passos do dono da casa, conforme ele se movia de um lado para o outro.

Segurou a chávena que lhe foi entregue, sem muita atenção.

Contudo, quando o guru nela despejou um pouco de chá, estando virada para baixo, inverteu o sentido das suas palavras para protestar:

O senhor viu o que fez? A chávena estava ao contrário e o chá derramou...

Calmamente, respondeu o guru:

Exatamente como a sua mente! Você está tão preocupado em falar, que não escuta nada do que se lhe diga.

É como despejar um bule cheio de chá na chávena virada para baixo.

Mude a sua conduta. Pense antes de falar. Fale pouco, analisando o que diz. Quando agir assim, a sua vida vai melhorar.

E concluiu: Pode se retirar. A consulta acabou.

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Reparando débitos

Existe erro irreparável? Será que acontecem tropeços na vida que jamais poderemos ressarcir?

Quando nos damos conta de alguma atitude errada, de uma ação desmedida, é natural que busquemos reparar o erro.

Quando nos conscientizamos do engano, a consciência, por processo natural, nos pede para ressarcirmos perante a vida, o que dela, de uma ou de outra forma, extorquimos.

Então nos armamos de coragem, humildade e entendimento, para buscar os meios de corrigir o erro.

Porém, é verdade que não raras são as situações onde essa reparação não se mostra tão simples ou corriqueira.

Alguns equívocos se alastram por toda a existência, sem oportunidade ou, por vezes, coragem de serem reparados.

São aqueles de difícil solução, envolvendo circunstâncias que nos fogem ao controle.

Assim, se pensamos em uma única existência, a resposta para a primeira pergunta será, inevitavelmente, Sim: existem erros irreparáveis.

Seja por dificuldades pessoais ou circunstâncias que se imponham, haverá situações que não permitirão reparação, nesta vida.

Basta que recordemos quantas pessoas concluem a sua jornada na Terra sem terem conseguido perdoar o próximo, ou sem terem tido a oportunidade de pedir perdão.

No entanto, lemos nos Evangelhos que Jesus afirmou que ninguém deixará a Terra sem antes pagar até o último ceitil, ou seja, a última moeda.

Se assim assevera o Mestre, como explicar essas situações onde a morte nos alcança antes de nos reabilitarmos?

Como pagar todas essas dívidas?

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