M.Espírita

Gesto anônimo

Quase sempre, quando realizamos algum ato de bondade, esperamos por gratidão. Desejamos que alguém reconheça o nosso ato, que ao menos alguém tenha observado e percebido nosso gesto nobre.

Ou então, em nossa ânsia de ajudar alguém, deixamos de perceber como a nossa dádiva pode ser embaraçosa para uma pessoa sensível. Ou mesmo, como pode parecer pesado, para quem recebe, o dever da gratidão.

Dar, pois, é um ato de sabedoria. Um escritor inglês fala de uma família mais ou menos próspera, que conheceu certa vez.

Havia uma tia idosa que vivia com uma ninharia, e, por isso mesmo, com dificuldades. Mas, ela alimentava verdadeiro horror a qualquer coisa que pudesse lhe parecer caridade.

Quando o chefe da família soube, através de um advogado, que ela havia herdado uma pequena herança de um primo distante, em verdade, somente algumas libras que seriam gastas em pouco tempo, arranjou secretamente, com o advogado, para que fosse adicionado à herança um capital considerável que ele mesmo providenciou.

Assim se fez e a tia viveu confortavelmente, sem jamais suspeitar do que fizera aquele bondoso sobrinho.

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O Primeiro Ecologista

Ecologia é a ciência que estuda a relação entre os seres vivos e o ambiente em que vivem. O termo foi utilizado, pela primeira vez, no ano de 1869, pelo cientista alemão Ernst Haeckel.

Contudo, no estudo dos Evangelhos, encontramos o mais excelente ecologista.  Muito antes dos homens se preocuparem com a sua casa terrena, com as questões ecológicas, um Sábio Galileu demonstrou o viver saudável e a interação com o meio ambiente.

Ele nasceu num estábulo, apropriado para abrigar os animais. E um boi e um burro dividiram o espaço com Ele.

Seu primeiro berço foi improvisado numa manjedoura, utilizando-se, os pais, do feno reservado aos animais.

Seus primeiros visitantes foram homens que guardavam as ovelhas, no campo.

Iniciou Seu messianato, identificando-se, conforme as Escrituras, nas águas do rio Jordão.

Embora frequentasse as sinagogas e o templo, em Jerusalém, foi no altar da natureza que teceu as mais belas considerações a respeito do reino que veio implantar no coração dos homens.

Subiu a um monte e pronunciou o poema jamais igualado das bem-aventuranças.

No poço de Jacó, na Samaria, serviu-se do precioso líquido para tecer uma analogia e ofertar a água viva, que dessedenta para sempre.

Falando a respeito da fé, a comparou ao minúsculo grão de mostarda que, semeado, se transforma em frondosa árvore, onde se vêm abrigar as aves.

Lecionando a humildade, declamou versos a respeito dos lírios dos campos, que não tecem, nem fiam, mas que se vestem com maior pompa do que o grande rei Salomão.

Ensinando a confiança na Providência Divina, referiu-se às aves do céu, que não semeiam, nem colhem e, no entanto, o Pai lhes provê o alimento diário.

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Voo dos gansos

É interessante observarmos como algumas pessoas são fortes, no que diz respeito a compreenderem e serem resignadas perante suas condições de vida.

Como ainda conseguem sorrir? – nos perguntamos, referindo-nos àqueles que perdem tudo o que têm, vitimados pelos desastres naturais como as enchentes, os terremotos, os incêndios.

Às vezes, nos imaginamos em seus lugares e exclamamos: Acredito que eu não suportaria tudo isso, sem me revoltar contra Deus, contra tudo.

Quando acompanhamos as histórias dessas pessoas na mídia, observamos seu olhar, e lá encontramos tristeza, desapontamento, é certo.

Mas, se observarmos bem, descobriremos uma força gigantesca, incompreensível quase, que as fará acordar, no dia seguinte, dispostas a reconstruir tudo, a conquistar tudo, outra vez, com o fruto do trabalho, com a mesma disposição de sempre.

De onde vem essa força? De onde vem essa vontade de continuar vivendo e lutando?

A respeito, escreveu um escritor americano:

Ontem, observei uma enorme revoada de gansos batendo asas em direção ao sul, com um pôr do sol panorâmico, que coloria todo o céu, durante alguns momentos.

Eu os observava, enquanto me apoiava contra a estátua do leão em frente ao Instituto de Artes de Chicago, onde estava olhando as pessoas que faziam compras, andando apressadas pela Avenida Michigan.

Quando baixei o olhar, percebi que uma mendiga, parada a alguns metros de distância, também estivera observando os gansos.

Nossos olhos se encontraram e sorrimos, reconhecendo, silenciosamente, o fato de que havíamos partilhado uma visão magnífica, um símbolo do misterioso esforço de sobrevivência.

Ouvi a senhora falar para si mesma, enquanto se afastava desajeitadamente: “Deus me estraga com mimos.”

Será que a senhora estaria brincando?

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Lista de presentes

Quando se aproxima o final do ano, costumamos fazer algumas listas que têm o objetivo de nos auxiliar a cumprir com os compromissos aos quais nos propusemos no decorrer do ano e que acabamos deixando para trás.

Nelas estão incluídas as promessas que fizemos e nem sequer nos movemos no sentido de cumpri-las. Lista de tarefas profissionais que foram inúmeras vezes deixadas em último lugar.

Lista de compromissos sociais diversas vezes adiados.

E, com a proximidade do Natal, vem também a lista de presentes.

Então, nos esmeramos na compra de lembranças e mimos para os familiares e amigos, em um gesto simbólico de comemoração do aniversário de nosso querido amigo Jesus.

Movidos pelo sentimento de caridade que nos envolve mais intensamente, nesta época do ano, muitos oferecemos lembranças àqueles menos favorecidos e aos desamparados.

Na ansiedade de não esquecer nenhum de nossos afetos, verificamos inúmeras vezes nossa lista.

Mas, num gesto de reflexão, poderíamos incluir em nossas anotações uma lista do quanto nos fizemos presentes na vida de todas as pessoas que nos cercam.

Com certeza constataríamos o quanto ofertamos de nós mesmos às pessoas que estimamos e também àquelas que, mesmo sem conhecermos muito bem, podem ter precisado de nós em algum momento.

Paremos para pensar o quanto nos fizemos presentes na vida de nossos filhos.

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A paz do mundo e a paz interior

A maior parte dos seres humanos deseja a paz no Mundo. É como um sonho coletivo: nada de guerras, de conflitos originados por preconceitos ou disputas políticas e religiosas.

Entretanto, muitos esquecem de um detalhe: a paz é o resultado de uma construção de pessoas, grupos, comunidades e povos.

Ela nasce, muito antes, no coração de cada um de nós.

“A paz do mundo começa em mim. Se tenho amor, com certeza sou feliz. Se faço o bem ao meu irmão, tenho a grandeza dentro do meu coração.”

A música do compositor Nando Cordel é uma bela tradução do verdadeiro espírito da paz.

Um sentimento que deve estar dentro da alma dos que desejam ver o Mundo mais aprimorado, do ponto de vista moral.

Mas há uma pergunta importante em meio a tudo isso: O que é a paz?

E você deve estar se perguntando: Será assim tão importante saber o que é a paz?

Claro que sim. Não se pode possuir aquilo que se desconhece. Então, falemos de paz...

Muita gente mistura os conceitos e acredita saber perfeitamente o que é a paz.

Alguns confundem paz com silêncio. Outros acreditam que a paz é a ausência de brigas.

Outros, ainda, imaginam que estar em paz significa ficar quieto, sem perturbar a quem quer que seja.

Finalmente, há os que acreditam que estar em paz é ter dinheiro sobrando para viver uma vida de conforto.

Será que isso é mesmo a paz? Será que essas situações trazem mesmo a tranqüilidade ou são apenas momentos menos tumultuados, com algum conforto material?

Pensemos juntos: paz não é simplesmente ausência de barulho.

Muita gente faz silêncio por fora, mas traz a alma sobrecarregada de ruídos. O tormento interno torna a criatura estressada e infeliz.

E quem acha que paz é a ausência de brigas e conflitos aparentes também pode estar enganado.

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