M.Espírita

Reaprendendo a orar

Clara foi criada em uma família cristã e frequentara a igreja durante toda sua infância e adolescência.

No entanto, desde o início de sua vida adulta, deixara de acompanhar seus familiares, pois sentia que a religião já não a tocava.

Nunca deixou de crer em Deus, mas, por muito tempo esteve longe de qualquer religião. Perdera o hábito de orar.

Abraçou uma profissão por vocação, e dedicava-se integralmente a ela, com trabalho diário e com estudo constante.

Amava sinceramente suas sobrinhas, a quem tratava como filhas. A mais nova era sua afilhada e costumava passar fins de semana com a tia a quem muito admirava.

Nessas ocasiões, antes de dormir, Clara a incentivava a fazer uma prece, pois sabia que, em sua casa, este era o hábito. Costumava ouvir atentamente a prece, mas permanecia em silêncio.

Certo dia, a sobrinha lhe telefonou, como de costume, mas, desta vez, não para conversar sobre as atividades do dia. A criança tinha a voz séria e disse-lhe: Tia, preciso lhe fazer uma pergunta.

Clara ouviu atentamente e, para sua surpresa, a voz de menina do outro lado perguntou: Tia, por que você não reza? Você acha que é errado?

Por alguns segundos Clara ficou em silêncio, refletindo sobre o que dizer àquela menina que ela tanto amava. Parecia ver o rosto da sobrinha com a expressão viva e interessada que lhe era característica.

Não queria faltar com a verdade, mas, o fato é que a menina a pegara de surpresa, pois ela nunca fizera esta pergunta a si mesma.

Então, respondeu: Não, minha querida, eu não acho errado.

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Adversidades

Ela era uma garota que vivia a se queixar da vida. Tudo lhe parecia difícil e se dizia cansada de lutar e combater.

Seu pai, que era um excelente cozinheiro, a convidou, certo dia, para uma experiência na cozinha.

Tomou de três panelas, encheu-as com água e colocou cenouras em uma, ovos em outra e pó de café na terceira.

Deixou que tudo fervesse, sem nada dizer. A moça suspirou longamente, imaginando o que é que seu pai estava fazendo com toda aquela encenação.

Tudo fervido, o pai colocou as cenouras e os ovos em uma tigela e o café em outra.

O que você está vendo? Perguntou.

Cenouras, ovos e café, respondeu ela.

Ele a trouxe mais perto e pediu que experimentasse as cenouras. Ela notou como as cenouras estavam macias.

Tomando um dos ovos, quebrou a casca e percebeu que ele estava duro.

Provando um gole de café, a garota sentiu o sabor delicioso.

Voltou-se para o pai, sorriu e indagou:

O que significa tudo isto, papai?

É simples, minha filha. As cenouras, os ovos e o café, ao enfrentarem a mesma adversidade, a água fervendo, reagiram de formas diferentes.

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Saberes diferentes

Narra-se que, num largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para outro.

Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora.

Como quem gosta de falar muito e com ar altivo, o advogado pergunta ao barqueiro:

Companheiro, você entende de leis?

Não. Responde o barqueiro.

E o advogado compadecido acrescenta:

É pena... Você perdeu metade de sua vida!

A professora, então, muito social, adentra na conversa:

Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?

Também não. Responde o remador.

Que pena! - condói-se a mestra. Você perdeu metade de sua vida!

Nisso, uma onda muito forte vira o barco

O canoeiro, preocupado, pergunta:

Vocês dois sabem nadar?

Não! Responderam eles rapidamente, em conjunto.

Então é pena! - conclui o barqueiro - vocês perderam toda sua vida!

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Conquista da felicidade

Felicidade é algo que todos anseiam e, ao mesmo tempo, procuram. A maioria de nós, ao falar sobre a felicidade, costuma comparar-se com alguém que acredita ser mais feliz: um parente, um colega, um amigo ou um simples conhecido.

Um escritor americano contou que, certa vez, um jovem lhe chamou a atenção por ser feliz e muito bem-sucedido.

Ele tinha mulher e filhas e podia-se observar a sua alegria no trabalho, que era conduzir um programa de entrevistas na rádio de sua cidade.

O escritor confessa que invejou aquele rapaz que tinha tudo sem muito esforço, um desses raros afortunados.

Mas, entretendo-se a conversar com ele, o assunto derivou para as questões da Internet.

Foi quando o rapaz lhe confessou que apreciava muito a Internet porque ela lhe possibilitava constantes pesquisas no campo da enfermidade chamada esclerose múltipla, doença terrível que afligia a sua mulher.

Como se percebe, o segredo da felicidade não está em possuir coisas, posições ou vantagens pessoais. É uma questão de ser grato por aquilo que se tem.

De um modo geral, pensamos que as pessoas infelizes reclamam de tudo. Mas é exatamente o contrário: as pessoas são infelizes porque de tudo reclamam. Não sabem ser gratas e nem valorizam o que têm.

É como alguém que olhasse para um telhado e descobrisse a falta de uma telha. Ora, o importante é que só falta uma telha e mais dia, menos dia, se conseguirá colocá-la.

O que não se pode esquecer é que o telhado todo está coberto, impedindo a ação dos ventos e das chuvas sobre a casa onde moramos.

O outro segredo da felicidade é dar um sentido à vida. Ninguém é feliz vivendo simplesmente por viver.

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Tempo e oportunidade

 Troca-se um relógio com tempo rápido, por um relógio de horas longas. Para olhar a natureza, e apreciar os pássaros.

Troca-se um dia apavorado, preso, rápido, por um dia solto, leve e comprido. Para brincar e aproveitar a vida.

*   *   *

O poema singelo é de uma jovem estudante, de alguém que, mesmo em tenra idade, descobriu que o tempo é um dos bens mais preciosos que temos.

Nenhum dia é igual ao outro na natureza. Eles não se repetem, são únicos.

O homem é que os torna iguais, repetitivos, cansativos, quando simplesmente se esquece de dirigir a sua vida e permite que a vida o carregue.

É certo que o mundo moderno nos exige muito para acompanhá-lo, para estar em sintonia com tudo de novo que surge, mas poderíamos questionar: precisamos realmente de tudo isso?

Precisamos deixar que o trabalho nos escravize, que ocupe grande parte de nosso tempo, de nossas forças?

Precisamos estar sempre pensando na competição, em ser melhores do que os outros, em estar na frente das outras ideias, em estar sempre na vanguarda de tudo?

Será preciso acompanhar os modismos, as novidades das mídias, para nos sentirmos bem?

Se fizermos uma análise profunda, veremos que não, que não precisamos de muito do que temos, de muito do que dizem que devemos ter para construir uma vida agradável e feliz.

Para quem raciocina que tempo é dinheiro, talvez olhar a natureza seja perda de tempo, mas para quem já aprendeu a ver que tempo é oportunidade, descobrirá que apreciar os pássaros, passar mais tempo com a família, ouvir uma boa música, ler um bom livro, são oportunidades da vida bem aproveitadas.

Um pai, ou uma mãe que tomem a resolução de abrir mão de um sucesso maior na profissão, por acreditarem que necessitam estar mais próximos dos filhos, com certeza se sentirão mais realizados do que aqueles que lutam incansavelmente para dar tudo à família, e esquecem que a sua presença, a sua atenção, o seu tempo, é o que de mais valioso podem dar a eles.

Esta existência é uma oportunidade única, e é chegado o momento de despertar para os verdadeiros objetivos que devemos ter aqui.

É chegado o instante de redescobrir o tempo e a sua utilidade.

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