M.Espírita

Quanto vale?

No mundo em que vivemos, a maioria de nós valoriza em demasia as coisas materiais. Nossos anseios giram em torno da ascensão profissional, dos lucros obtidos, das aplicações em fundos de investimento e em bolsas de valores.

Esgotamo-nos em horas intérminas de trabalho, em demonstração de engajamento e dedicação, no anseio de conquistas polpudas em nossos salários.

Idealizamos a casa, as viagens, os passeios, o carro, quem sabe, um pequeno barco.

Nossos dias, semanas e meses se sucedem em torno do angariar mais para mais usufruir.

Naturalmente, como as conquistas se fazem a muito custo, tudo é zelosamente cuidado.

Zelamos pela conservação da residência, da casa na praia, do carro, das joias.

No entanto, de um modo geral, existem valores aos quais não damos maior importância... até o dia em que os perdemos.

Assim, quando a morte, como lei natural, nos surpreende, levando um dos nossos afetos, sentimos que nos falta o chão.

Quando chegamos em casa e não encontramos a bagunça, os brinquedos espalhados; quando não temos mais o colar diário de dois bracinhos em nosso pescoço, quanta tristeza!

Sentamos no sofá, caríssimo, que tanto prezávamos, com desânimo. O entorno perdeu seu significado. A joia mais valiosa se foi. Aquela que somente deixou uma imensa saudade no cofre da nossa intimidade.

A casa tão rica de tapeçarias e cristais jaz fria e quieta.

O que não daríamos para ter o esposo, de novo, adentrando o lar, batendo a porta, soltando as chaves com ruído sobre a mesa, e a voz sonora a anunciar: Cheguei!

Dentre tantos amores, um colo de mãe é ainda mais precioso. Valor inigualável.

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Ligar-se a Deus

 A vida moderna é rica de divertimentos e distrações.

Entre as múltiplas obrigações do cotidiano e as oportunidades de lazer, tende a sobrar pouco tempo para o homem refletir  sobre o seu destino.

Contudo, gradualmente as criaturas vão se cansando de viver sem pensar e passam a tentar compreender o mundo e a si  próprias.

A preocupação em cultivar a própria espiritualidade reflete essa busca por compreensão, a opção pelo transcendente, em detrimento das trivialidades.

Em qualquer ambiente que se freqüente não são raras referências a energias, anjos, santos, igrejas e promessas.

Em um mundo materialista e no qual tudo é transitório, cresce nos homens a necessidade de conectar-se com Deus.

Cada qual procura identificar a corrente religiosa ou filosófica com a qual guarda mais afinidade.

A multiplicidade de credos não deve causar espanto.

Sendo essencialmente distintas as criaturas, em valores e experiências, não podem todas trilhar o mesmo caminho para a divindade.

Deus é bom e grande o suficiente para compreender que os seus filhos conseguem concebê-lo e amá-lo de diferentes modos.

O selvagem que ingenuamente identifica os poderes divinos com o sol ou a lua, por certo não ofende o pai soberano.

Assim, não é relevante que você acredite desta ou daquela forma.

Na verdade, a busca pela espiritualidade envolve a consciência da própria pequenez, em face da imensidão criadora do pai.

A vontade de espiritualizar-se também sinaliza que o homem cansou de caminhar a esmo e deseja estabelecer uma meta digna de ser buscada.

Ele quer perceber qual é o seu papel diante da vida, o propósito de sua existência.

Como cada qual exterioriza sua tentativa de harmonização com o cosmo, como considera melhor louvar ao Criador, constitui uma opção pessoal.

Mas o bom senso indica que Deus é pleno e perfeito em si mesmo, independente do que suas criaturas façam.

O senhor da vida não será mais ou menos feliz, se você o honrar de um modo ou de outro.

A melhor maneira de agradá-lo é demonstrar que você respeita a obra dele, tratando bem os seus semelhantes.

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Reaprendendo a orar

Clara foi criada em uma família cristã e frequentara a igreja durante toda sua infância e adolescência.

No entanto, desde o início de sua vida adulta, deixara de acompanhar seus familiares, pois sentia que a religião já não a tocava.

Nunca deixou de crer em Deus, mas, por muito tempo esteve longe de qualquer religião. Perdera o hábito de orar.

Abraçou uma profissão por vocação, e dedicava-se integralmente a ela, com trabalho diário e com estudo constante.

Amava sinceramente suas sobrinhas, a quem tratava como filhas. A mais nova era sua afilhada e costumava passar fins de semana com a tia a quem muito admirava.

Nessas ocasiões, antes de dormir, Clara a incentivava a fazer uma prece, pois sabia que, em sua casa, este era o hábito. Costumava ouvir atentamente a prece, mas permanecia em silêncio.

Certo dia, a sobrinha lhe telefonou, como de costume, mas, desta vez, não para conversar sobre as atividades do dia. A criança tinha a voz séria e disse-lhe: Tia, preciso lhe fazer uma pergunta.

Clara ouviu atentamente e, para sua surpresa, a voz de menina do outro lado perguntou: Tia, por que você não reza? Você acha que é errado?

Por alguns segundos Clara ficou em silêncio, refletindo sobre o que dizer àquela menina que ela tanto amava. Parecia ver o rosto da sobrinha com a expressão viva e interessada que lhe era característica.

Não queria faltar com a verdade, mas, o fato é que a menina a pegara de surpresa, pois ela nunca fizera esta pergunta a si mesma.

Então, respondeu: Não, minha querida, eu não acho errado.

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A Lei cuida de todos

Em uma apreciação rasa das ocorrências do mundo, talvez pareça que as injustiças imperam.

Entretanto, a ordem cósmica é perfeita e ninguém consegue burlar seus imperativos.

Não há como negar que os homens erram, em sua imperfeição.

Às vezes utilizam a liberdade de modo infeliz e causam dores na vida do próximo.

Mas absolutamente ninguém se furta de assumir as consequências de todos os seus atos.

Ações dignas se convertem em bênçãos e luzes.

Desafios vencidos, com coragem e dignidade, abrem portas para fases mais ricas da existência imortal.

O mesmo se dá com relação aos equívocos, apenas com outra conotação.

Tudo o que se faz, diz e pensa, tem consequências.

A influência que se exerce no mundo vincula o porvir.

Quem incentiva o vício, semeia a dor ou dilapida os tesouros da vida, prepara dias de angústia para si próprio.

Contrariamente ao que por vezes se pensa, o propósito da Lei Divina não é punir.

Ela objetiva educar, corrigir e levar o faltoso à reparação.

A dor, como resultado do equívoco, é apanágio de quem se nega a retificar o que fez.

Isso não implica que o ato de reparar, embora não tenha necessariamente uma conotação dolorosa, seja fácil.

Tudo depende da gravidade dos desdobramentos do ato praticado.

Imagine-se que um homem induz outro a desenvolver determinado vício ou a adotar certa conduta leviana.

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Adversidades

Ela era uma garota que vivia a se queixar da vida. Tudo lhe parecia difícil e se dizia cansada de lutar e combater.

Seu pai, que era um excelente cozinheiro, a convidou, certo dia, para uma experiência na cozinha.

Tomou de três panelas, encheu-as com água e colocou cenouras em uma, ovos em outra e pó de café na terceira.

Deixou que tudo fervesse, sem nada dizer. A moça suspirou longamente, imaginando o que é que seu pai estava fazendo com toda aquela encenação.

Tudo fervido, o pai colocou as cenouras e os ovos em uma tigela e o café em outra.

O que você está vendo? Perguntou.

Cenouras, ovos e café, respondeu ela.

Ele a trouxe mais perto e pediu que experimentasse as cenouras. Ela notou como as cenouras estavam macias.

Tomando um dos ovos, quebrou a casca e percebeu que ele estava duro.

Provando um gole de café, a garota sentiu o sabor delicioso.

Voltou-se para o pai, sorriu e indagou:

O que significa tudo isto, papai?

É simples, minha filha. As cenouras, os ovos e o café, ao enfrentarem a mesma adversidade, a água fervendo, reagiram de formas diferentes.

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