M.Espírita

O grande tesouro

Certa vez, um andarilho apareceu numa aldeia. Dirigiu-se à praça central, anunciou-se como alquimista e disse que ensinaria como transformar qualquer tipo de metal em ouro.

Algumas pessoas pararam para ouvi-lo e começaram a proferir gracejos e ridicularizá-lo.

O estranho não se abalou com as chacotas. Pediu um pedaço de metal e alguém lhe entregou uma ferradura. Um outro lhe ofereceu um prego.

O alquimista, então, pegou ambas as peças e ainda sob as risadas dos incrédulos, colocou-as numa pequena vasilha e derramou sobre elas o conteúdo de um frasco que havia retirado de sua sacola.

Permaneceu alguns segundos em silêncio e o fenômeno aconteceu. A ferradura e o prego se tornaram dourados.

Uma sensação de espanto percorreu a multidão que se avolumava cada vez mais na praça.

O alquimista levantou as peças de ouro para que todos as pudessem admirar.

Um ourives presente no local pediu para examinar os objetos e foi atendido.

Em pouco tempo, revelou que as peças eram mesmo de ouro puro, tão puro como ele nunca tinha visto.

As pessoas se agitaram. Todos se aproximaram do alquimista, desejando ouvi-lo. Ele apanhou um livro grosso de sua sacola e disse estar nele o segredo da transformação.

Em seguida, entregou o livro para uma criança e partiu. Ninguém o viu ir embora, pois todos os olhos se mantiveram fixos no objeto nas mãos da criança.

Poucos dias depois, a maioria das pessoas já tinha uma cópia do valioso manuscrito. Assim, a receita para produzir ouro passou a ser conhecida por todos.

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Saber ouvir

 Thomas Edison, o inventor da lâmpada, perdeu boa parte de sua capacidade auditiva quando tinha doze anos de idade.

Só podia ouvir os ruídos e gritos mais fortes.

Isso, no entanto, não o incomodava.

Certa vez, indagado a respeito da sua deficiência, respondeu com serenidade: “não ouço um passarinho desde meus doze nos, mas em vez disso constituir uma desvantagem, minha surdez talvez tenha sido benéfica para mim. Ela encaminhou-me muito cedo à leitura e, além disso, pude sempre concentrar-me com rapidez, já que me encontrava naturalmente desligado de conversações inúteis.”

A singela observação guarda grande ensinamento.

A maior parte de nós tem plena capacidade auditiva, mas isso não significa necessariamente que tenhamos o dom de saber ouvir.

Embora a audição seja uma dádiva maravilhosa, não há como negar que poucos, muito poucos de nós, dominamos a arte de ouvir.

Ainda não conseguimos ouvir os queixumes dos outros sem que atravessemos um comentário a respeito da nossa própria desdita.

Deixamos assim de escutar as histórias dos outros, para narrar a nossa própria, como se apenas esta fosse digna de ser registrada e conhecida.

Ainda não conseguimos ouvir as críticas que nos fazem.

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Não esperemos

Não esperemos por um sorriso para sermos gentis.

Não esperemos ser amados para amar.

Não esperemos ficar sozinhos para reconhecermos o valor de um amigo.

Não esperemos o melhor emprego para começarmos a trabalhar.

Não esperemos ter muito para compartilharmos um pouco.

Não esperemos a queda para nos lembrarmos do conselho.

Não esperemos a morte para dizermos o quanto amamos alguém.

Não esperemos a chuva para valorizarmos o dia de sol.

Não esperemos ser abraçados para darmos um abraço.

Não esperemos a dor para acreditarmos na oração.

Não esperemos ter tempo para podermos servir.

Não esperemos a mágoa do outro para pedirmos perdão.

Nem esperemos a separação para nos reconciliarmos.

Não esperemos... pois não sabemos o tempo que ainda temos.

Pois ninguém precisa esperar para amar e buscar a felicidade.

A vida é uma oportunidade ímpar.

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A dor em nossas vidas

 Você já parou para pensar na razão da existência da dor, do sofrimento, em nossas vidas?

Talvez num daqueles momentos de extrema angústia, em que o coração parece apertar forte, você tenha pensado em Deus, na vida, e gritado intimamente: Por quê?!

Os benfeitores espirituais vêm nos esclarecer que a dor é uma lei de equilíbrio e educação.

Léon Denis, reconhecido escritor francês, em sua obra O problema do ser, do destino e da dor, esclarece que o gênio não é somente o resultado de trabalhos seculares; é também a apoteose, a coroação de sofrimento.

De Homero a Dante, a Camões, a Tasso, a Milton, todos os grandes homens, como eles, têm sofrido.

A dor lhes fez vibrar a alma, lhes inspirou a nobreza dos sentimentos, a intensidade da emoção que souberam traduzir com os acentos do gênio, e que os imortalizou.

É na dor que mais sobressaem os cânticos da alma.

Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá saírem os gritos sinceros, os poderosos apelos que comovem e arrastam as multidões.

Dá-se o mesmo com todos os heróis, com todas as pessoas de grande caráter, com os corações generosos, com os espíritos mais eminentes. Sua elevação se mede pela soma dos sofrimentos que passaram.

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A raiz da violência

O Terceiro Milênio chegou. Embora muitos tenham apregoado que ele seria negro, ele chegou de mansinho. E sem que nos déssemos realmente conta, estamos vivendo os dias de um novo século e de um novo milênio.

Com a sua chegada, nos enchemos de esperança de um mundo melhor, pleno de paz. No entanto, o Terceiro Milênio herdou naturalmente tudo aquilo que os homens construíram nos milênios anteriores.

Por isso, ainda temos muitos problemas que preocupam as mentes dos homens nobres e os corações sensíveis.

Entre esses, um dos mais cruciais, com certeza, o problema da violência.

Os que residimos em grandes cidades afirmamos estar cansados da violência. Afinal, não podemos sair de casa sossegados. Se paramos o carro ao sinal vermelho, em pleno dia, corremos o risco de sermos assaltados.

Ao andarmos pelas avenidas, a trabalho, a passeio ou fazendo compras, nunca estamos livres de termos a bolsa roubada, a carteira surrupiada.

Nossas crianças vão para a escola e ficamos apreensivos. Voltarão para casa sem serem agredidas e terem roubados os tênis, a jaqueta, o relógio?

Autoridades se reúnem, psicólogos discutem, educadores dialogam. Todos desejam saber o que fazer para deter a onda de violência.

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