Diversos

A Tragédia da Depressão

 Vivemos na atualidade momentos de grande materialismo e inversão de valores e, por isso, doenças espirituais profundas têm se disseminado de forma jamais vista, como é o caso da depressão, que já é considerada o grande mal do século XXI, assumindo proporções epidêmicas nestes momentos conturbados que a Humanidade tem passado.

A depressão é uma doença espiritual profunda e, enquanto o Ser Humano estiver nesse caminho no qual o que importa são os prazeres imediatos em detrimento das questões mediatas do Espírito imortal, estará às voltas com esse mal, cuja superação está em uma sintonia com os valores essenciais da Vida.

Tudo no Universo nos convida ao amor, ao bem, ao bom, ao belo, à alegria, à felicidade. Basta observar a natureza em torno de nós. O Sol que nasce e se põe diariamente em miríades de cores deslumbrantes, os pássaros com seus cantos maviosos, as flores embelezando o caminho, toda a natureza em festa, expressando o infinito amor de Deus por todas as Suas criaturas.

E o depressivo o que faz: vira as costas a tudo isso para dar vazão a um processo de rebeldia frente à Vida porque não vive apenas situações agradáveis da forma como gostaria, como se num planeta de expiações e provas como o nosso pudéssemos viver apenas situações agradáveis, que ainda não fizemos por merecer.

A pessoa com tendência depressiva torna-se, então, uma revoltada. Revolta-se contra todas as circunstâncias que a desagradam. Ela quer que o Universo seja de conformidade com o que ela acredita ser perfeito.

E tudo o que não está em conformidade com aquilo que ela espera, gera muita revolta, que irá despender uma grande quantidade de energia vital, que é jogada fora pela própria atitude da pessoa depressiva, num esforço vão de querer que a sua vontade seja feita, e não a de Deus, como nos ensinou Jesus. Ela não consegue ver a vida como uma dádiva, que tem os seus percalços, mas que nos convida ao bem e ao amor continuamente.

Essas ações colocam os depressivos na antítese da vida. Eles se deprimem porque não se integram na vida. Estão à parte da vida. Excluem-se da dinâmica da vida, porque a vida não é como eles querem que seja.

Por isso, é imprescindível que a pessoa em depressão bem como aqueles que têm uma tendência a desenvolvê-la e ainda não manifestaram a doença, um esforço em direção à essência da vida, realizando ações para se espiritualizarem e se religarem verdadeiramente a Deus, de modo a aceitar as conjunturas em que vivem, mudando aquilo que são convidadas a mudar, que são os seus próprios sentimentos egoicos num processo de autotransformação.

Alírio de Cerqueira Filho

 

 

 

Enfermidades

Agradece as bênçãos da saúde que te facultam laborar com eficiência, ampliando-te os horizontes do desenvolvimento intelecto-moral.

Uma organização fisiológica saudável é bem de valor inestimável que deve ser preservado a qualquer sacrifício. Para que o logres, faz-se indispensável o balanço harmônico entre o espírito e a matéria, o que equivale dizer, entre a mente e o corpo.

És tudo quanto elaboras mentalmente e vivencias nas internas paisagens do ser profundo.

Aquilo que cultivas interiormente condensa-se nos arquipélagos celulares, produzindo os efeitos correspondentes.

No curso largo da evolução antropossociopsicológica, a desnecessidade de alguma função eliminou o órgão que a produzia, substituindo-a por outro mais eficiente e delicado, no que têm resultado as admiráveis conquistas do sentimento e da emoção. Dos instintos primevos à razão, e dessa à consciência, a vida investiu grandiosos valores que o Espírito consegue mediante esforço de depuração. A sensibilidade vegetal, a sensação animal em caminho da emoção humana, como um passo avançado no rumo da intuição e logo da sublimação espiritual.

Saúde, portanto, é bem-estar, harmonia psicofísica, equilíbrio dos sentimentos e dos anseios.

Nada obstante, periodicamente ocorrem desajustes na maquinaria, que necessitam ser corrigidos na sua fonte de origem.

Em face das admiráveis conquistas da ciência médica, farmacológica e da tecnologia de ponta, já é possível reequilibrar diversos fatores de perturbação orgânica geradores das enfermidades, corrigindo o ritmo da mitose celular. Não obstante, o sistema imunológico prossegue como o grande defensor da excelente organização em relação aos agentes externos destrutivos.

Para a sua preservação torna-se inevitável o contributo mental, de modo a ser-lhe facultados os hábeis recursos para as lutas ingentes e contínuas a que se encontra submetida.

Vibrações delicadas interferem nos campos celulares proporcionando-lhes vitalização ou desgaste, defesas ou perdas...

Em todo esse conjunto se manifestam as heranças espirituais que procedem das existências pela formação dos equipamentos de que se constituem os glóbulos brancos, assim como as hemácias e demais órgãos. No fenômeno da fagocitose, por exemplo, as energias da mente oferecem os recursos para que os defensores do organismo sejam protegidos na luta contra os agressores de fora...

Enfermidade, portanto, é resultado de comportamentos incorretos que favorecem a distonia emocional com as suas consequências perniciosas.

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Transformar sonhos em projetos

“... entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim. Ela dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta segurança.”
O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 12.

Todos sonhamos. Não me refiro aquilo que fazemos às noites, quando dormimos. Sonhar é desejar algo... imaginar uma conquista que nos faria feliz.

Somos seres de felicidade, logo, de conquistas, pois elas nos fazem felizes. Conquistas espirituais e materiais.

Basta conversarmos com as pessoas e nos daremos conta de que todos têm sonhos. É algo universal. No entanto, nem todos sabem como realizá-los.

Surge daí o problema habitual do ser humano comum: consegue sonhar, mas não conquistar.

Para sonhar, basta imaginação... desejo. Para conquistar, necessitamos de planejamento, estratégias, esforço, persistência, e muitas outras características que faltam à maioria.

Quantos talentos desperdiçados por preguiça, medo, desorganização, desinformação...

Os seres humanos são essencialmente capazes. Existe um potencial inimaginável em cada pessoa. Basta desejar verdadeiramente e seguir os caminhos corretos para atingir os fins que se deseja.

Certo que no trajeto existirão os tropeços, os erros, as quedas. Mas todo erro é didático, pois nos demonstra como “não fazer”, nos dando experiências que permitem o auto-aprimoramento.

O que normalmente acontece é a desistência diante dos primeiros obstáculos.

O que será que nos falta?

Certamente se somos sonhadores natos, temos que elaborar formas de colocar em prática nossos sonhos. Temos que tornar o sonho um projeto.

Gostaria de emagrecer. Ótimo! A saúde agradece. Bastará sonhar essa conquista, entre um bombom e outro? Óbvio que não. Marcar uma hora no nutricionista ajudaria muito. Seria o profissional adequado para auxiliar na elaboração do projeto.

O projeto dirá: Você vai emagrecer! Siga os procedimentos.

Gostaria de ser mais paciente. Muito bom! A questão é procurar se conhecer... saber em que circunstâncias se “perde” a paciência... quais pessoas e por que o tiram do sério.

O projeto dirá: Você vai ser mais paciente! Siga os procedimentos.

Quando projetamos nossos sonhos, eles ficam mais claros, mais palpáveis.

Ao realizar um projeto passamos a recolher informações do meio, a nos conhecer melhor, a dar passos mais firmes rumo a nossos ideais.

Podemos começar a elaborar o projeto hoje.

Bastará pensarmos nos nossos sonhos e realizar algumas questões:
• O que sonho é algo bom, algo ético?
• Quando realizado me fará feliz?
• Como realizar esse sonho?
A partir daí surgem inúmeras outras questões:

Existem pessoas que já realizaram algo semelhante?
• Se realizaram como o fizeram? Quais passos deram?
• Que recursos tenho disponíveis para essa realização? Se não possuo, como adquiri-los?
• O contexto é favorável?
• No que tenho que mudar?
• Quais os procedimentos diários para conquistar o que almejo?
• Etc...

Na medida em que as respostas surgem ficam mais nítidas nossas metas e o caminho que nos distancia delas.

Nossos sonhos são a força que dinamiza a sociedade, não podemos deixar de lado a oportunidade de dar nossa contribuição ao mundo, ao mesmo tempo que nos realizamos como pessoas.

Vale a pena tentar!

Cristian Macedo
(Publicado no Jornal Mundo Espírita de 01/08/2006)

Software para Eternidade

O instinto independe da inteligência?

Precisamente, não, por isso que o instinto é uma espécie de inteligência. É uma inteligência sem raciocínio.; Por ele é que todos os seres provêm às suas necessidades.

Questão nº 73

Um dos inventos mais prodigiosos de nosso século é o computador, cada vez mais sofisticado, beneficiando todos os setores da atividade humana.
Minha sensação, quando comecei a usá-lo, aposentando velha máquina de escrever, foi de quem deixa uma carroça para usar moderno carro importado.
O computador está presente nos lares, nas comunicações, nos veículos, facilitando a vida, tornando-a mais confortável e segura.
Há cálculos relacionados com a astronomia e viagens espaciais que demandariam meses. Hoje computadores os fazem em horas. Os mais possantes, em minutos.
No século XVI o genial astrônomo alemão Johannes Kepler levou quatro anos para calcular a órbita de Marte, uma elipse perfeita. Um computador faria os mesmos cálculos em quatro segundos.
-Só falta falar - diz boquiaberto um usuário noviço.
Está enganado.
Já existem computadores que transformam os impulsos eletromagnéticos em voz humana sintetizada. Em processo inverso atendem ao comando do operador.

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Jesus e a Inteligência Emocional

Afirma Daniel Goleman em seu livro “Inteligência Emocional” que os grandes mestres espirituais como Jesus e Buda “tocaram o coração dos seus discípulos falando na linguagem da emoção, ensinando por parábolas, fábulas e contos”. Segundo o escritor estes mestres espirituais falam no “vernáculo do coração”, o que do ponto de vista racional tem pouco sentido.

Goleman explica ainda que segundo Freud, em seu “conceito primário” de pensamento, essa lógica da mente emocional é a “lógica da religião e da poesia, da psicose e das crianças, do sonho e do mito”. Isto engloba também as metáforas e imagens como as artes, romances, filmes, novelas, música, teatro, ópera, etc., pois tocam de forma direta a mente emocional.

Isto nos leva a entender por que as expressões religiosas e artísticas agradam tanto: é que a imensa maioria das pessoas é dominada pela emoção. Também explica o motivo dessa preferência das multidões a essas crenças novas, rotuladas de evangélicas, que manipulam as emoções como fator de atração e direcionamento de seus adeptos.

Mas, o que é a EMOÇÃO? O dicionário registra: qualquer agitação ou perturbação da mente; sentimento; paixão; qualquer sentimento veemente ou excitado.

Segundo Goleman: “EMOÇÃO se refere a um sentimento e seus pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos, e a uma gama de tendências para agir.”

Não podemos perder de vista as sutilezas em que as emoções se manifestam, para melhor entendimento do assunto e encaminhamento do nosso raciocínio.

Os estudiosos do tema propõem famílias básicas (assim como as cores básicas); mencionaremos algumas:

IRA: fúria, revolta, ressentimento, raiva, exasperação, indignação vexame, animosidade, aborrecimento, irritabilidade, hostilidade e, no extremo, ódio e violência patológicos.

TRISTEZA: sofrimento, mágoa, desânimo, desalento, melancolia, autopiedade, solidão, desamparo, desespero e, quando patológica, severa depressão.

MEDO: ansiedade, apreensão, nervosismo, preocupação, consternação, cautela, escrúpulo, inquietação, pavor, susto, terror e, como psicopatologia, fobia e pânico.

PRAZER: felicidade, alegria, alívio, contentamento, deleite, diversão, orgulho, prazer sensual, emoção, arrebatamento, gratificação, satisfação, bom humor, euforia, êxtase e, no extremo, mania.

AMOR: aceitação, amizade, confiança, afinidade, dedicação, adoração, paixão, ágape (caridade).

E as virtudes e vícios que vão desde a fé, compaixão, esperança, coragem, altruísmo, perdão, equanimidade até dúvida, preguiça, tédio, etc. Há um debate científico sobre como classificar as emoções, já que podem ser igualmente um estado de espírito, temperamento ou se transformarem em distúrbios emocionais como depressão, angústia, ansiedade, fobias, etc.

Depreende-se, portanto, que em várias circunstâncias de nossa vida as emoções prevalecem e nos dominam. Quantas vezes nos surpreendemos diante de nossas alternâncias de estado de espírito, pois podemos ser muito racionais num momento e irracionais no seguinte quando o calor da emoção passa a comandar nossas atitudes.

É exatamente nos estados extremos das emoções que as pessoas cometem ações das quais se arrependem amargamente no minuto seguinte, quando a mente racional começa a reagir. É este o caminho dos crimes passionais, quando se diz que houve “privação dos sentidos”.

Portanto, emoções são sentimentos a se expressarem em impulsos e numa vasta gama de intensidade, gerando idéias, condutas, ações e reações. Quando burilados, equilibrados e bem conduzidos transformam-se em sentimentos elevados, sublimados, tomando-se, aí sim — virtudes.

O livro de Daniel Goleman traz-nos preciosas contribuições que devem ser analisadas à luz da Doutrina Espirita. Observemos, em princípio, o que consideramos a contribuição fundamental de sua obra: a distinção entre inteligência emocional e racional, em que “linguagem” a primeira se manifesta e todas as conseqüências que daí advêm. Mas, iremos analisar, especificamente, o discurso de Jesus, sob esta ótica.

Segundo o autor e conforme mencionamos linhas atrás, Jesus utilizou-se do “vernáculo do coração”, falava, portanto, a linguagem da emoção, e acrescentamos: do sentimento sublimado — por isto se diz que Ele trouxe a Lei de Amor.

Todavia, para a mentalidade racional que impera no Ocidente, nas elites intelectuais, sobretudo, essa mensagem passou a ser vista como sinônimo de psicose, infantilidade, poesia e utopia. Por outro lado, os principais fatores que geraram esse tipo de leitura foram as distorções, as interpolações e mutilações que o Evangelho sofreu e que o transformaram nesse cristianismo dos tempos atuais, muito distante da verdadeira Boa-Nova.

É exatamente no momento crucial em que a Europa, liderada pela França, entroniza a “deusa Razão”, zombando dos valores espirituais cultivados pela religião dominante, que a Terceira Revelação chega à Terra. O Espiritismo veio fazer uma leitura do Evangelho através da razão. Tendo em suas bases a moral cristã em sua pureza primitiva, interpretada, todavia, na linha do raciocínio a fim de que o seu aspecto emocional passe agora pela mente racional e possa ser aceita, assimilada pela mentalidade que prevalece em nossa época.

Cremos que a resistência na aceitação da Doutrina Espírita por parte dos países europeus (e mesmo norte-americanos), deve-se ao fato de não terem conseguido ainda assimilar essa nova mentalidade, pois destacam, de forma predominante, os valores intelectuais, a linha racional, não admitindo a prevalência da emoção ou a sua equiparação com a razão.

A Doutrina Espírita vem colocar o Evangelho do Cristo na linguagem da razão, com explicações racionais, filosóficas e científicas, mas, vejamos bem, sem abandonar, sem deixar de lado o aspecto emocional que é colocado na sua expressão mais alta, tal como o pretendeu Jesus, ou seja o sentimento sublimado, demonstrando assim que o SENTIMENTO E A RAZÃO podem e devem caminhar pela mesma via, pois constituem as duas asas de libertação definitiva do ser humano: O AMOR E A SABEDORIA.

A questão 627 de “O Livro dos Espíritos” traz-nos primorosa síntese das finalidades do Espiritismo e, a certa altura da resposta transmitida pelos Espíritos Superiores afirma: “O ensino dos Espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão. Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei toda de amor e de caridade.”

Autor: Suely Caldas Schubert

CEP Concórdia